Procurador pede apuração sobre financiamento de candidaturas pelo crime organizado no Piauí
29/09/2026
(Foto: Reprodução) Ministério Público Federal do Piauí
Andrê Nascimento/ G1 PI
O procurador regional eleitoral Kelston Lages informou nesta terça-feira (29) que a Polícia Federal (PF) investiga denúncia de que várias candidaturas no Piauí estariam sendo financiadas pelo crime organizado. Após o recebimento da denúncia, o Ministério Público Federal (PF) acionou a Polícia Federal, que abriu inquérito sobre o caso.
O caso tramita em segredo de Justiça. Até a publicação desta reportagem, não haviam sido divulgadas informações sobre a identidade dos candidatos envolvidos e nem sobre o andamento das investigações.
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O g1 já havia divulgado que uma investigação estava em curso, mas nesta terça (29) o procurador detalhou a situação. Segundo ele, não apenas uma, mas várias candidaturas estão sob suspeita de financiamento e envolvimento com facções.
Ao todo, o MPF recebeu cerca de 130 denúncias sobre as eleições e, destas, 70% estão sendo aprofundadas. A maioria, segundo o procurador, diz respeito ao uso da máquina pública para financiamento decampanha.
Procurador pede apuração sobre financiamento de candidaturas pelo crime organizado
O desembargador José Wilson, presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI), comentou apenas que o caso está sendo "capitaneado" pelo MP Eleitoral e que, quando findadas as investigações, será analisado pelo Tribunal.
Procurada pelo g1, a PF informou que "não comenta especulações sobre possíveis ações institucionais. Informações de interesse público são divulgadas oportunamente pelos canais oficiais da instituição".
Combate ao crime organizado na política
Em maio deste ano, o Tribunal Regional Eleitoral do Piauí (TRE-PI) realizou a primeira reunião do Comitê de Segurança das Eleições Gerais de 2026, desenvolvido para integrar o planejamento entre órgãos de segurança envolvidos no pleito. Entre os objetivos, foi anunciado o combate a candidaturas ligadas ao crime organizado.
Casos de repercussão
O caso se soma a outros episódios registrados neste ano envolvendo políticos investigados ou condenados por crimes relacionados ao crime organizado.
Em abril, a ex-vereadora de Teresina Tatiana Medeiros (PSB) foi condenada a 19 anos, 10 meses e sete dias de prisão pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral, peculato-desvio, falsidade ideológica eleitoral e lavagem de dinheiro.
Neste ano, também ganharam repercussão as investigações envolvendo o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil), por suspeitas relacionadas à atuação da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de transporte público da capital paulista.
E o deputado estadual TH Joias (MDB-RJ), acusado de integrar um esquema de corrupção, tráfico de drogas e contrabando ligado ao Comando Vermelho.
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